Pele de Tigre não remete apenas para o padrão de um animal. É também o nome de uma das variantes do mármore de Estremoz, uma “pele” mineral que, aqui, serve de metáfora para um tempo em que superfícies digitais reproduzem materiais de forma idêntica ou até idealizada, onde quase tudo pode ser pele: corpo humano ou animal, superfície, textura, imagem e desejo. Mas o que se ganha — e o que se perde — quando a pedra vira imagem?
Pele de Tigre é um ensaio audiovisual imersivo para repensar a relação entre corpo, arquitetura, matéria e imagem na experiência de construir o mundo. Inspirado na história, presença e aplicação do mármore português na arquitetura, este projeto propõe uma viagem sensorial e crítica pelo momento em que a pedra passa a circular como imagem digital na prática arquitetónica. Entre bancos de materiais renderizados para consumo, texturas digitais e fragmentos fictícios, este ensaio questiona como tradicionalmente percebemos o valor dos materiais e como a sua representação mediada por tecnologia molda a nossa compreensão sobre matéria, uso, consumo e valor.
Num panorama cada vez mais homogéneo, marcado por arquiteturas de efeitos visuais genéricos que tendem a transformar matéria em padrão kitsch global, este ensaio desafia-nos a olhar para aquilo que vemos, sentimos e tocamos — e também para aquilo que deixamos de ver, tocar e reconhecer. Pele de Tigre coloca em diálogo a presença tátil do mármore e a sua versão mediada — sempre em expansão nas práticas arquitetónicas, artísticas e digitais — convidando o público a reflectir de forma imersiva e participada sobre o estatuto da matéria na arquitetura, nas fricções entre o real e o representado, o peso e o pixel, o sensível e o sintético.
20 de março – sessão para escolas
21 de março – Público Geral – 17h30
M/14
Entrada livre.
Lotação limitada.
Reservas para o geral@podeviraser.pt
