Resiliência até quando | Apresentação pública

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Resiliência até quando
A escultura Resiliência até quando é uma obra construída a partir de dois materiais distintos: garrafas de água de plástico e pedras. Através da sobreposição destes elementos, a obra cria uma estrutura vertical, aparentemente instável, que desafia o equilíbrio e coloca em evidência a tensão existente entre materiais com características físicas muito diferentes.
As pedras, associadas à dureza, à resistência e à permanência, contrastam com as garrafas de plástico, um material leve, frágil e produzido em larga escala, cuja presença está diretamente relacionada com o consumo e o impacto ambiental da atividade humana. A sua disposição alternada cria uma relação de dependência entre os elementos, na qual cada peça contribui para a sustentação do conjunto, mas também para a sua vulnerabilidade. O equilíbrio da escultura parece estar constantemente ameaçada, sugerindo a possibilidade de colapso a qualquer momento.
A obra propõe uma reflexão sobre a resiliência, entendida como a capacidade de resistir, adaptar-se e persistir perante situações adversas. Contudo, o título – Resiliência até quando – introduz uma questão fundamental: até que ponto é possível continuar a resistir sem que as estruturas, individuais ou coletivas, acabem por ceder? A pergunta não procura uma resposta definitiva, mas convida o observador a refletir sobre os limites da resistência e sobre as condições que a tornam necessária.
A instabilidade física da escultura funciona como uma metáfora das tensões e desigualdades que atravessam a humanidade nos domínios ecológico, social, político e económico. Tal como os materiais se equilibram precariamente uns sobre os outros, também as sociedades contemporâneas assentam em sistemas complexos, marcados por desequilíbrios, contradições e relações de poder. A crise ambiental, o consumo excessivo de recursos, as desigualdades sociais e económicas e a instabilidade política são algumas das realidades que colocam em causa a sustentabilidade do presente e o equilíbrio do futuro.
A utilização de garrafas de água de plástico reforça a dimensão ecológica da obra, remetendo para a produção e acumulação de resíduos e para a relação contraditória da sociedade com os recursos naturais. Em contraponto, as pedras evocam a permanência da natureza, embora a sua utilização numa estrutura frágil e artificial sugira também que nem aquilo que parece sólido e duradouro está imune à instabilidade do mundo contemporâneo.
Deste modo, Resiliência até quando ultrapassa a dimensão material da escultura para se afirmar como uma reflexão crítica sobre a condição humana e sobre os limites da resistência perante as sucessivas crises do nosso tempo. A obra procura despertar no observador um sentimento de inquietação, levando-o a questionar não só a capacidade de resistir, mas também a necessidade de transformar as estruturas que perpetuam o desequilíbrio.
Mais do que celebrar a resiliência como uma virtude, a escultura questiona a sua exigência constante. Até quando será necessário resistir antes de se tornar urgente mudar?

 

 

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TERRA e SOL – Parque de Esculturas / Atelier Gabriel Seixas
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